BFBM
Artigo28 de maio de 2025

Open Banking e Open Finance: Entenda Essa Nova Tecnologia e Sua Regulamentação no Brasil

Por Vanessa Vasconcellos e Daiane Soares Nos últimos anos, o termo Open Banking tem ganhado cada vez mais espaço nas […]

Nos últimos anos, o termo Open Banking tem ganhado cada vez mais espaço nas discussões sobre o futuro do sistema financeiro. Essa nova tecnologia, também conhecida como Open Finance, representa uma transformação significativa na forma como os dados financeiros dos clientes são utilizados e compartilhados entre instituições autorizadas. Mas, afinal, o que é exatamente o Open Banking, quais são seus benefícios e riscos, e como está regulamentado no Brasil?

O Que é Open Banking?

Open Banking, ou sistema financeiro aberto, é um modelo que permite ao cliente compartilhar, de forma segura e com total consentimento, suas informações financeiras com diferentes instituições — como bancos, fintechs e outras empresas do setor. A grande inovação está no fato de que os dados pertencem ao cliente e não à instituição financeira, o que devolve ao consumidor o controle sobre seu histórico bancário.

Com isso, é possível, por exemplo, que um cliente transfira o seu histórico de bom relacionamento de um banco tradicional para uma fintech, a fim de obter melhores condições de crédito, taxas mais atrativas ou serviços personalizados.

Historicamente, o relacionamento entre clientes e instituições financeiras era restrito, dificultando a mobilidade e a concorrência no setor. Um cliente que mantivesse um bom histórico com um banco durante 20 anos teria dificuldades em comprovar esse relacionamento ao migrar para outra instituição. O Open Banking surge justamente para resolver esse problema.

De acordo com o artigo 3º da Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020, o sistema foi criado para:

I – Incentivar a inovação;

II – Promover a concorrência;

III – Aumentar a eficiência do Sistema Financeiro Nacional e do Sistema de Pagamentos Brasileiro;

IV – Promover a cidadania financeira.

Como Funciona na Prática?

Com o Open Banking, os clientes podem movimentar suas contas por meio de diferentes plataformas, além do site ou aplicativo da instituição financeira. O consentimento para o compartilhamento de dados pode ser concedido e revogado digitalmente, com poucos cliques, o que proporciona segurança, agilidade e conveniência.

O Reino Unido foi pioneiro na implementação dessa tecnologia, seguido por países como Austrália e Índia. O Brasil também começou a adotar o modelo recentemente, enquanto outras nações, como Estados Unidos, Canadá e Rússia, ainda estudam formas de integrá-lo aos seus sistemas financeiros.

Benefícios e Desafios

Entre os principais benefícios do Open Banking estão:

1 – Maior concorrência entre instituições financeiras;

2 – Ofertas personalizadas de produtos e serviços;

3 – Facilidade de migração entre bancos e fintechs;

4 – Empoderamento do consumidor, que passa a controlar seus próprios dados.

Entretanto, os desafios também são relevantes. O uso indevido dessa tecnologia pode acarretar riscos financeiros, especialmente em um país como o Brasil, onde a educação financeira ainda é precária. Muitos brasileiros não têm controle do orçamento, carecem de reservas de emergência e não se preparam adequadamente para o futuro.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a proporção de famílias com contas a vencer caiu de 77,0% em novembro para 76,7% em dezembro de 2024. Essa redução, no entanto, pode estar mais ligada ao aumento da taxa Selic e da inflação do que a melhorias na gestão financeira pessoal.

A Regulamentação do Open Banking no Brasil

Apesar da importância do tema, o Brasil ainda não possui uma lei específica sobre Open Banking. Atualmente, o sistema está regulamentado por normas como:

– Resolução Conjunta BCB/CMN nº 1/2020;

– Circular BCB nº 4.015/2020;

– Resolução Conjunta nº 4, de 24 de março de 2022.

Essas normas, no entanto, são gerais e não abordam de forma detalhada as implicações dessa tecnologia. Também não há uma integração clara com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), criada em 2018, o que gera uma lacuna regulatória importante.

Entre os principais riscos da ausência de legislação específica estão:

– Vazamento de dados;

– Fraudes e golpes;

– Fragmentação da experiência do cliente;

– Dificuldades de conectividade entre plataformas.

Considerações Finais

O Open Banking representa um avanço importante para o sistema financeiro brasileiro, promovendo transparência, mobilidade e concorrência. No entanto, seu sucesso dependerá da educação financeira da população, do fortalecimento da segurança digital e da criação de um arcabouço legal mais robusto.

Ainda estamos nos primeiros passos da implementação desse ecossistema de compartilhamento de dados. Para que o Open Banking se consolide como uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento financeiro, será fundamental que seu uso seja feito com moderação, consciência e responsabilidade — tanto por parte dos consumidores quanto das instituições envolvidas.